Sem Face
- Alexander Bertoti
- 27 de mai. de 2020
- 4 min de leitura
06:17 – soou o despertador
Mas Henry já havia acordado vinte minutos antes, em meio a uma crise de pânico saiu correndo de seu quarto, cruzou o corredor e a cozinha, abriu a porta tão rápido que pode jurar que a havia atravessado, ele estava já faziam vinte minutos agachado em meio a neve, grandes galhos brancos cobertos pela neve o cercavam e a porta entreaberta batia com o vento do amanhecer. Ao decorrer do tempo em que a luz do Sol fora cobrindo seu corpo e o esquecendo mesmo que insuficientemente o acordou de desespero.
Ao tardar do dia Henry se encontrava em sua sala de estar com seus amigos, conversavam sobre a criança que havia desaparecido duas noites atrás.
— Ainda me pergunto como ela poderia sumir assim, sabe, nós conhecíamos Anne e ela não sairia de casa em meio a uma chuva e neve — disse Mary
— Ela estava sozinha em casa e não encontraram sinal de arrombamento, é um mistério — complementou Jeff
— Talvez ela tenha saído por contra própria — Disse Henry — Que seria muito bizarro por sinal.
Cristina surgiu da cozinha com uma enorme panela de pipoca e com um filme em DVD pendurado na parte da frente de sua calça que alcançava até seu umbigo. Era uma noite composta por pipocas, filmes em DVD, risadas e conversas interessantes.
Em um dos momentos Henry precisou ir ao banheiro e foi até seu quarto, pegou seu celular e respondeu algumas das mensagem que havia recebido, ao largar o celular em cima da cama virou-se para a enorme janela de seu quarto e pode ver algo em meio as arvores brancas, enquanto a neve lentamente caia uma criatura alta, com enormes braços que pareciam tentáculos, fundira-se as centenas de arvores visíveis, como se abraçasse toda a visão de Henry o fazendo por alguns segundos perder o equilíbrio e segurar-se na borda da cama. Correndo de seu quarto ao corredor ele gritava e ao chegar na sala todos seus amigos haviam sumido.
9:00 – o despertador distorcia-se na borda de sua cama
Junto com batidas incansáveis na porta que o fez levantar rapidamente de sua cama, na porta estava um investigador que vem diariamente ouvir a história de Henry novamente e novamente:
— Então, poderia repetir o que exatamente houve naquela noite?
— Eu já disse, fui ao meu quarto e vi alguém lá fora, quando voltei todos os meus amigos haviam sumido...
— Quem exatamente você viu lá fora? Me descreva novamente
— Um homem alto, pálido e que vestia roupas brancas e pretas, parecia um terno.
Diariamente não só o investigador como também crianças, adultos e policiais vinham ficar ao redor de sua casa, olhavam para a floresta e alguns até mesmo entravam e Henry nunca mais os via.
Uma onde de loucura e calamidade rapidamente tomou conta da cidade, os jornais possuíam duas a três paginas de avistamentos, relatos e corpos encontrados destroçados pela redondeza da cidade.
Em uma das noites Henry pode ouvir gritos ecoando da floresta, ele mesmo já estava dias sem dormir, mas acreditava que sua casa fosse o único lugar seguro, mas em uma noite ele mudou sua opinião. Após alguns minutos com os olhos fechados ele despertou com um barulho terrível que tomava conta de toda a casa, levantou devagar e olhou pela janela de seu quarto, nada, a calmaria da madrugada e o vazio que aquela floresta emanava o atormentava, caminhou lentamente pela casa e verificou-se de olhar cada cômodo, enquanto retornava para seu quarto pode ouvir alguém batendo na porta:
— Henry! Henry! — Abra a porta, é a Cristina!
Rapidamente correu em direção a porta, mas ao chegar lá as batidas cessaram-se e não havia ninguém na porta.
— Henry! Henry! Me ajude — Gritava Jeff de algum lugar da casa
Henry corria em todas as direções, mas não encontrava nada, ele achou estar ficando louco, e talvez tivesse razão.
— HENRY! — Inúmeras vozes ecoaram da floresta, tão altas que os vidros das janelas racharam em varias camadas que pareciam um desenho de galhos, pequenas florestas em cada uma das janelas. Sem pensar duas vezes ele correu em direção a floresta, adentrando cada vez mais ao fundo sentiu-se observado por todos os cantos e quando parou de correr, um pingo de sangue caiu em seu ombro, ao olhar para cima um espiral de galhos com corpos empalados cobriam o céu, o luar refletia em tudo aquilo e o desespero adentrava em seu corpo e mente como centenas de agulhas toda de uma vez.
Voltou correndo para sua casa e ao chegar perto dela, percebeu que as luzes estavam acessas, sem nenhum vidro trincado e então a luz de seu quarto acendeu. Escondeu-se num canto da arvore e viu a si mesmo lá dentro, mexendo no celular e depois o encarando, pode sentir então uma presença e um barulho de tambores macabros vindo da floresta, dos galhos e de suas costas;
Uma enorme criatura esquelética erguia-se e ficava cada vez mais alta, o corpo possuía uma coloração pútrida mas a neve cobria boa parte do mesmo, enormes tentáculos vinham a seus pés e uma face esquelética o encarava fixamente, aos poucos carne fora cobrindo a face daquela criatura e então um rosto sem feição surgiu.
Henry foi tomado pelo silêncio e desespero.
06:17 – O despertador tocava
Henry acordou paralisado em sua cama, ouvindo risos e barulhos vindo de sua cozinha. Levantou lentamente, suando e tremendo, quando chegou na cozinha lá estavam seus amigos.
— Olá Henry — Disse Cristina
— Você é o último — Disse Jeff
— O último? Do que você está falando — Questionava Henry
— O ultimo que a floresta irá devorar — Disse Mary
— Você possui sorte, Ele gostou de você — complementou Cristina.
Antes que Henry pudesse falar ou perguntar mais alguma coisa o despertador o acordou.
Agora ainda era noite, sua cama toda encharcada de suor, mas uma calmaria estranha estava presente, como se houvesse recém acordado de um sonho qualquer. Pegou seu celular, mas não havia sinal e bateria já não aguentaria mais tanto, olhou a data e percebeu que já faziam quase um mês da ultima data que tinha em mente, um barulho veio da porta do quarto e de canto de olho Henry viu, o arquiteto daquele pesadelo.
11:00 da manhã
O despertador ecoava pela casa vazia, o investigador batia na porta e o jornaleiro passava lançando o jornal na porta da casa.
A primeira página e o destaque do jornal a dias seguiam com o título:
“Um mês desde as centenas de desaparecimentos e a policia ainda não possui respostas.“

Artista: uncannyknack (John Gallagher)



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