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Um Homem do Blues

  • Alexander Bertoti
  • 27 de mai. de 2020
  • 2 min de leitura

Em minha juventude fui o homem que pecou

não que eu tenha me tornado um santo

Mas após muito álcool e golpeadas no coração

acabei percebendo, e aprendendo

que o karma é uma prostituta de coração frio.

Queria não ter visto o meu futuro

Gostaria que meus olhos enxergassem menos,

mas por Deus, sou como uma velha águia

acostumada com a caça, o desejo de sangue.

Se meus olhos transbordassem, minha alma

seria como uma avalanche interminável.

Naquela noite sonhei com um mundo branco

como um papel, esperando para ser usado.

Sonhei que segurava o lápis, eu criara um novo mundo

a partir do branco, da ausência de cores,

mas para minha surpresa não desenhei.

Escrevi uma montanha, um lago, animais e vida

como se fossem poesia viva, escrevi até mesmo a morte.

Queria não ter visto o meu futuro

No bar, naquela noite estrelada e silenciosa

o barulho do copo batendo na mesa,

como palpitações de um coração fraco.

Pela janela do bar eu enxergava os inúmeros

fantasmas do meu passado, o reflexo do meu coração.


Dizem que para entrar num bar

precisamos deixar nosso coração do lado de fora,

Lá dentro é um papo frente a frente com a alma.

O copo de cerveja e o cigarro são as acomodações

a mesa, cadeira e o garçom estão lá

apenas para suprir o sentimento de solidão, nada mais.

Queria não ter visto o meu futuro

Não permiti que o tempo passasse sobre mim

corri lado a lado, mas me empolguei

ultrapassei o tempo, pisei no futuro

Como um homem do blues.

Vi o que ninguém merece ver

Senti o que todos querem sentir

Recebi o que ninguém quer, a paz.

Queria não ter visto o futuro

Enxergo hoje o romance escorrendo pelos cantos da cidade

vejo amor, sem amar, isso é uma crueldade

Não só comigo, mas com os apaixonados e amantes,

que acham que o amor pode ser enxergado.

Isso que você demonstra e diz ser amor

é apenas o seu ego sendo suprido por alguém gentil.

O amor é invisível, distante e difícil de se alcançar

Como Deus e o Diabo, instável e incerto.

Por fim nesse poema me entristece.

Meu coração já deve estar cansado de esperar,

tenho uma longa caminhada até em casa.


Enxergarei o céu noturno como Van Gogh

Cada pernada me lembrará Thoreau

Acenderei meu cigarro como Sinatra

Cantarei versos de Johnny Cash


Lembrarei que o Sol está logo nascendo

que o futuro que enxerguei

é uma grande aposta.


Viro o último copo como Bukowski.



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