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Submisso ao Amor

  • Alexander Bertoti
  • 9 de jun. de 2020
  • 2 min de leitura

É sobre como o cigarro queima

Mais lentamente ao lado dela,

As cinzas, o fogo, a tragada.

Nada dessas coisas ilumina

A noite mais que ela mesma.

É sobre deitar

E se ver preso,

Submisso,

Atordoado!

Por um corpo,

Por uma mulher.

Acendo outro cigarro;

As cinzas caem no teclado,

A escuridão em minha volta

Se parece mais densa

E o amor uma memória.

Me viro para trás na escuridão

“Poderia ser pior”

os deuses por vezes não

permitiram que a poesia

diga mais do que deva.

Ninguém censura a poesia,

A não ser eles, os malditos

E benevolentes deuses.

Há uma certa ternura escondida,

Um lance de amor e ódio.

É sobre como meu peito

Se aquece como uma jovem fogueira;

Como aquelas que os escoteiros

Fazem em suas noites frias na mata.

E sobre como ela bota lenha para dentro.

Caminho entre os cômodos da casa,

Vejo fotografias, livros e roupas,

Algumas ainda são dela.

É sobre como o seu cheiro

Impregna minha alma.

Talvez esteja jogada no sofá

De outro cara, roubando-lhe cigarros.

Pensando em como eu devo estar,

Imortalizando versos,

Cobertos dela,

De cinzas,

Fogo e paixão.

Caio de bom grado no sofá

E a iluminação dos prédios

Rasgam a janela em minha direção,

Com a mão no rosto e a certeza

De que o tempo deve ter parado.

Penso em mais quais versos escrever,

O que mais posso narrar para que a leitura

Dessa poesia se torne imortal?

Levanto o copo de whisky em direção ao teto,

As velhas garrafas de cerveja na prateleira acima

Denunciam minha capacidade de beber mais do que

A maioria dos homens da cidade,

A habilidade de beber mais amor e poesia

Do que qualquer outro na mesa de bar.

Como devem estar os homens de poesia?

O telefone toca;

“Onde você está? seu desgraçado”

Eu poderia ter desligado o telefone,

Posto um ponto final.

Mas é sobre o gosto sedutor que isto tem

Agora ela vem

E eu estarei na porta da frente

É sobre como ela chega,

A forma que ama minha escuridão.

E sobre como ela sabe que amo

Tudo que compõe sua alma,

Sua ferocidade e sua pele.

Lentamente me empurra para o sofá

Lá estou; submisso.

Ao toque quente

Que suas mãos causam.


Mas me lembro dos versos passados

Deslizo minhas mãos entre as suas,

Agarro seu pescoço e a beijo,

Dessa vez quem dominará

O corpo e alma,

A carne e sangue,

a paixão

e o amor,


Será eu.


Fotógrafo: Jason Langer

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