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Minha Cidade/Meus Sentimentos

  • Alexander Bertoti
  • 18 de mai. de 2020
  • 2 min de leitura

Quando caminho pela cidade

Vejo aquela coisa perturbadora

Que são os inúmeros locais

Carregados de memórias,

Histórias, todas perdidas ao vento.

É quando acendo meu cigarro

Que vejo todas elas dançarem,

Memórias de romance, dor,

Ternura e agonia.

Todas perdidas ali, no espaço.

Quando caminho pela cidade

Com meu carro ao som de um velho blues.

Ao som do clássico, do sentimento,

Vejo as histórias dançarem.

Não sei você, mas isso me perturba.

Histórias perdidas e eternizadas,

Em cada beirada da cidade

A cada esquina manchada

Por sangue inocente,

Demarcada pelas guerras.

São as guerras internas de cada um,

Cada ser vivo, humanos carregados

De cadeados afundados em suas almas.

Na esquina, no banco, nos prédios e casas

Em todo canto há fragmentos do que já se foi.

Quando caminho pela cidade

Vejo o romance, casais e amigos alegres

Pela vida que o acaso criou no decorrer dos séculos.

Vejo a solidão nos velhos homens que já perderam

Suas esposas e maridos, amigos e seus cães, gatos, pássaros.

Acredite, isso tudo é o bastante para te afundar

No mar de nostalgia e melancolia presente,

Mas eu sei nadar, acendo meu cigarro

Com cada tragada queimo tudo isso,

As eternizo nas cinzas que crio,

Na poesia que escrevo.

Espero que fiquem cientes,

Todas suas histórias e memorias

Serão escritas algum dia, por mim

Ou por qualquer outro poeta do mundo,

O infinito e imortalidade, é com isso

Que trabalhamos todas as noites.

Talvez você cruze com algum poeta em sua vida,

Se puder corra, antes que ele te eternize

Em uma poesia da noite, nem todos vivem para sempre.

É quando o verso nasce que suas histórias dançam

Pelos céus dessa velha cidade.

A poesia se estende da mesma forma que a noite,

O sono vem devagar acolhendo a solidão do poeta.

A poesia chega ao seu fim, a poesia e vocês

Estão agora em versos, beije sua mulher ou seu homem.

Pois está noite faço amor com a solitude.

Talvez eu tenha me repetido

Mas no fim tudo é um ciclo vicioso.

E o preço a se pagar para não ser refém do destino

É muito alto, mas no fim todos merecem uma dança,

Sim...

Todos merecem dançar,

Com ou sem par.


Pintor: Iain Faulkner

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